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Mostrando postagens de novembro, 2008

O Dramaturgo e o Poeta

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Escrever é ser. Ser a si mesmo, ser outro, ser o outro, ser outra coisa, outro elemento. Escrever é fazer parte do universo. Escrever é trazer o universo para dentro si e senti-lo, compreendê-lo, ver o que, de outra forma, não conseguiríamos ver. Escrever é dramatizar, é compreender como parte de si tudo o que existe fora. Escrever é consumir o mundo. Tenho a honra de apresentar a vocês Camilo de Lélis, cujos textos passarão a compor o acervo do Ente Maldito. O admirável diretor teatral e dramaturgo dispensa apresentações. O que se irá mostrar aqui, neste espaço, é o admirável poeta, o surpreendente escritor cuidadoso no trato da linguagem, prolixo e cultivador de belíssimas metáforas. Leiam e deliciem-se. Mas, atenção! Sem pressa. Leiam com calma. E prestem muuuiiita atenção no que é dito, pois nada está ali por acaso. Os textos do Camilo sempre conduzem para além de si próprios. O que está escrito, pode não ser o que se lê. O que deve ser entendido, pode estar além do que está escrit...

Mundo Louco

Manifesto Literário

Então chegou o momento. Como eu havia postado há alguns dias, torno público este Manifesto Literário. Nele proponho um estilo literário a que denominei Terceto. Conto com o comentário dos visitantes a fim de discutirmos o que aqui apresento. Vale tudo: discordar, concordar, sugerir, malhar, vaiar, elogiar, acrescentar... e por aí vai. Não sei se estou propondo algo novo ou discorrendo a respeito de algo já existente que, no entanto, ainda não havia sido percebido e analisado. Mas chega de conversa e mãos à obra. “OS DIFERENTES MOTIVOS DE QUEM PROCURA Corações e mentes voam seus vôos loucos: Aqueles, em busca de amor, Estas, por quem lhes ouça um pouco.” O TERCETO Terceto é um estilo poético que se apresenta na forma de um texto organizado em três versos. A rigor, o Terceto não se atém a regras de composição, no que diz respeito à temática ou ao emprego de figuras de linguagem, no entanto, quanto à estrutura, é corrente que o terceiro verso rime com o primeiro, ficando o segundo livre, ...

Escrever para crianças

Escrever para crianças é um exercício fantástico! E terrível! Quando ficamos adultos, por algum motivo ainda não muito bem explicado, perdemos completamente nossas referências infantis, de tal maneira que temos grandes dificuldades, inclusive, para criarmos nossos filhos. É comum depararmo-nos com pessoas que tratam seus filhos como 'pequenos adultos', a exigir deles comportamentos e compreensões completamente incompatíveis com a fase de desenvolvimento em que se encontram. Porque isso nos acontece? Porque nossa sensibilidade para com essa fase da vida nos sobra completamente embotada? Alguns dizem: "Ah, mas eu me lembro muito bem da minha infância. Inclusive de coisas que me aconteceram quando eu estava ainda no útero!" Fantástico! De repente se levantam, se encaminham solertes em direção ao filho pequeno, que acabou de quebrar um vaso que pertencia à família há uns 150 anos, e... BATEM NELE!... Fomos crianças, nos lembramos de termos sido crianças, mas não sabemos m...

Enquanto as horas passavam...

A ÚNICA E VERDADEIRA E FANTÁSTICA HISTÓRIA DE JONAS BROWN (Rascunho para a introdução de um livro que pretendo - algum dia - escrever) As horas passavam e, conforme a noite ia se estabelecendo e tomando assento, impondo seu reinado até que o sol viesse novamente requerer o trono, o bar ia enchendo cada vez mais. De repente, nem a música do som ambiente, que ainda há pouco se podia ouvir com clareza, conseguia se sobressair ao burburinho das vozes que se elevavam, numa busca quase desesperada para serem ouvidas. Mesmo em meio de tamanha algazarra ele não conseguia deixar de sentir-se só, apartado do mundo, alheio ao que se passava ao redor. A cada gole, a solidão que sentia levava-o para mais longe, para um lugar qualquer, desabitado, esquecido ou desconhecido de todos e por todos. Um lugar como uma ilha – inóspita, virgem, inalcançável. Tão inalcançável que era como se ele nunca mais pudesse voltar de tal lugar, apesar de lá ter chegado facilmente. "A dor é um navio que nos leva a...

A vida dos outros

Tem gente que encontra na própria vida um exemplo a ser oferecido para os outros. Há pessoas que encontram em si algo de bom para compartilhar com o mundo. São pessoas que entendem que todos estamos intimamente ligados pela nossa humanidade. Não somos nem estamos sós. Se não importássemos uns aos outros, não faria sentido vivermos em sociedade, não é mesmo? Por isso, convido os navegantes que por aqui passarem a assistirem a este vídeo onde Steve Jobs (ele mesmo, o fundador/criador da Apple) aparece num discurso a formandos na universidade de Stanford. Vale realmente a pena dispensar algum tempinho para assistir e refletir. Parte I Parte II

Exercício de Haicai II

Não canso de me apaixonar por esta forma de poesia. É fantástico o que se pode dizer em apenas três versos. Trago para o conhecimento de vocês um haicai de um grande poeta brasileiro chamado Guilherme de Almeida: Um gosto de amora comida com sol. A vida chama-se "Agora". Bah, mas eu não poderia deixar de citar o insuperável haicaísta Paulo Leminsky. Tem este que é lindo: hoje à noite até as estrelas cheiram a flor de laranjeira

TERCETOS

Você sabe o que são Tercetos? E Tercetos Maledetos? Então, Tercetos são... Bem, vamos ficar assim por enquanto. Na próxima postagem estarei divulgando um manifesto onde pretendo apresentar conceitualmente algo que classifiquei como um "estilo poético". Aguardem... Enquanto isso... "Na esquina reconheço o rosto que passa. Meu coração dispara! Não adianta acenar. Ela não me verá. Maldita fumaça!"

Exercício de Haicai

Bem, estamos estudando sobre haicais. É muuuuiiiito interessante. No entanto, quanto mais me aprofundo no assunto, mais difícil fica definir o que é um haicai: não basta a forma, não basta o tema, não basta a sintaxe, não basta a esquematização, não basta nada: a última que li é que o poema, para ser um haicai, tem que ter "sabor" de haicai - ai, ai, ai... complicou. De qualquer forma, a gente se mete a tentar fazer de tudo um pouco e aventurar-se em terreno tão pantanoso até que é legal. Atualmente discute-se muito haicais e há correntes haicaistas, umas valorizando mais esta ou aquela característica, outras, aquelas outras. É perigoso tomar posição. Como sou ainda um amador, fico à vontade para deixar que aquilo que me parece haikai, que pulsa em mim apresentando-se como um haicai, saia. Então, escrevi isto. Caso alguém que entenda do assunto leia esta postagem, por favor, deixe seu recado. Gostaria de saber se o que escrevi pelo menos "cheira" a haikai. Se tem ...