CALMA Nossos sorrisos foram, devagar, fechando como as asas das aves, de voar, cansadas. Nossos sorrisos, meu amor, tristes vão pousando como pétalas medrosas, de rosas, n'água. O que quer que disséssemos, agora de pouco, ou quase nada, valeria. Fecharam-se os sorrisos, meu amor, embora não fosssem mais que pétalas tocando a água fria. A solidão repousa... suspira... ressona... Deixemos a noite entrar e que nos embale o sono. Nossos sorrisos, levou-os, meu amor, a onda. Amanhã cuidamos, com calma, do abandono. Clarice Almada No player abaixo, ouça a poesia declamada pelo autor.