À HORA EM QUE OS OLHOS FECHAM Agora é hora de partir, de dar adeus às árvores e suas sombras, aos pássaros que trinaram em tantos amanheceres, à grama estendida como um tapete para os meus pés doloridos; de dar adeus ao pôr-do-sol, tantas vezes visto, a partir da margem do rio para além das ilhas - tão tristes, tão sós, tão longes. Agora é hora de partir, de dar adeus às longas e ensolaradas esperas de tantos verões intermináveis, às manhãs solitárias, às noites de vigília, ao amor, tão carinhosamente cultivado até o último olhar, até o último silêncio. (Ai, quão profundamente amei!) Partir: como as nuvens depois da chuva, como as folhas depois do vento, como as sombras depois do dia, como as flores depois da colheita. Agora é hora de cruzar a ponte, pela primeira e pela última vez, e sentir a umidade envolvendo a alma, e o suave vento que vem de leve e desfaz a flor da vida que a esperança de ti fez nascer em meus olhos. Agora é a hora de fechar os olhos e deixar-me transportar até ...