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Mostrando postagens de maio, 2013

POESIA - POEMA DE SEXO E CARINHO

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POEMA DE SEXO E CARINHO Beija-me, meu amor, beija-me e dize-me, por favor, palavras ardentes. Veste-me de beijos, despe-me em beijos, ai, beijos, beijos, teus beijos calientes! Deita-me, meu amor, deita-me e pega-me nos flancos e puxa-me para ti e sente: meu corpo fremente. Conduze-me, meu amor, leva-me pelos caminhos iluminados por onde passeia o teu desejo. Ai, entra-me, meu amor, entra-me, que quero sentir-te vivo e pulsante dentro de mim. Ressucita-me, meu amor, ressucita-me, que teu ardor faz-me sentir viva e quero viver para sempre. Ai, não morra, meu amor, nunca, que quero mostrar-te no corpo as marcas da alegria que me dá viver-te. Beija-me, meu amor, beija-me, e dize-me que o fazes movido pela fome de sexo e carinho que sinceramente sentes. Clarice Almada

CONTO - ENSAIO SOBRE A CULPA (REVISTO E AMPLIADO)

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ENSAIO SOBRE A CULPA Sim, sabia-se que, se continuássemos a expelir tanta fumaça tóxica, um dia o ar tornaria-se tão irrespirável que a vida na terra seria impossível: mas, escolheu-se continuar. E, agora, não há como reparar o mal feito. Sim, sabia-se que, se extingüíssemos alguma espécie viva, animal ou vegetal, comprometeríamos irremediavelmente o delicado equilíbrio que há entre os seres que habitam este planeta, sendo um responsável pela vida e pela morte do outro, de forma que nem um, nem outro, se tornasse praga predatória para os demais: mas, escolheu-se extingüir. E, assim, continuamos a dar cabo de outros seres vivos, de maneira irrecuperável. Sim, sabia-se que, se continuássemos produzindo lixo indeteriorável, um dia não teríamos mais onde depositá-lo sem comprometer nossa saúde. Mas, escolheu-se continuar. E, assim, produzimos lixo e mais lixo, e não sabemos mais o que fazer com ele. E ainda sentimos a necessidade de produzir mais. Mas remediamos o mal com um tolerável e co...

VOCÊ JÁ VIU DEUS?

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Lendo uma entrevista concedida por Leonardo Boff à revista Caros Amigos, em junho de 1997, a certa altura ele cita um diálogo que teve com sua mãe: Ela: Você já viu Deus? Ele: Mãe, a gente não vê Deus. Ela: Mas como, você tantos anos padre, não viu Deus? Isso é uma vergonha para um padre! Ele: Mãe, a senhora vê? Ela: Lógico que vejo Deus. De vez em quando tem o pôr-do-sol, aquelas nuvens, eu fico olhando e ele passa com aquele manto, sorrindo, e atrás vem teu pai que já morreu, sempre olhando pra mim e rindo, e eu fico uma semana inteira com alegria no coração. Mais adiante, Leonardo, questionado sobre como é Deus, responde: - (...) Deus não é um objeto, não é uma entidade, é uma suprema paixão, suprema energia, o que os gregos de uma maneira genial disseram, e eu gostaria de dizer porque ela está presente na nossa língua, que é a palavra entusiasmo . Porque em grego entusiasmo  significa ente os mos , "ter um Deus dentro". (...) Então é isso: acredito que é isso: concordo co...

POESIA - RECORTE

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RECORTE É só uns trocadinho, assim, é pro mininu comprá leite pro mininu, que tá ali, dorminu, naquela sombra. Sinão, já vai cordá rismunganu. Ele senti muita fomi, tá sempri cum fomi, sempri choranu. Não é pra mim, não, é pro mininu, só uns trocadinho, comprá leite enquanto eli tá durminu. Di meu, meu, mesmo, não tenho muita coisa: tenho esse carrinho, essa panela velha, uma culhé, uns pano. I tenho eli, nem sei quantu tempu. Eli é assim, miudinho, tá sempre cum fomi. Eu como, assim, modo di dizer, lá di vezenquando. Mi percupo mais cum eli. Eli passa o tempo todo assim: durminu. A mãe deli morreu, assim, cumé qui eu vou lhi dizer, di sofrimentu: num güentô vê as criança sofreno. Coitada. Enterrei ela junto cus ôtro. Tinha mais dois. Agora sêmo, assim, eu mais ele. E Deus. Só nóis nu mundo. Essa ponti, aqui, é dondi nós morêmo. Eli fica ali, na sombra, durminu. Tá sempre cum fomi, o miúdo. Tadinho. Agora, tá ali, durminu. Daqui a pôco eli vai cordá, e já vai cordá resmunganu. Tadinho...

COLAGEM POP

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Neon sobre o batom negro: gata de concreto peitos de salto alto. Pele de onça morta dança na mata a música mística: tambores de fritz, batuques de manoel, pandeiros de otaka, gonzos de muhammad, bumbos de salim, cornetas de vitorio. Árvores de polipropeno liberam metaldeído na atmosfera new-pós-emo-dark: Pop Pop Pop Pop Art! Olhos de cristal riscado, língua de diamante bruto, hálito de butano, filosofia com bula: agite antes de usar. uma mulher de carne, plástico e ossos. Colagem na paisagem colorida de prédios esguios. No parapeito da janela do apartamento do último andar do edifício mais alto, a silhueta de um boleto vencido: - vai pular. Pula! Pula! Pula! Pop Pop Pop Pop @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Art! Pero Vás

O SENTIDO DA VIDA - POESIA

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Já não tens pincéis com os quais pintes a primavera: a flor do amor murchou; o perfume da vida está ocre; não tens luz, não tens cigarro. Tu, João, por que vives? Pero Vás