NO TEMPO EM QUE O AMOR NÃO PASSA - POESIA
Envolto em fumaça, tusso ao caminhão que passa sobre a calçada e mata de morte matada a graça de eu-criança brincando com a lembrança do meu pai que abraça a minha mãe e dança e fala de um tempo onde o amor não passa e o vento soprando esvoaça um sonho que eu tinha ontem - hoje eu tenho pressa e medo desta casa onde moro com as minhas coisas e uma antiga carta com um frase curta nem texto ou poema - quase uma nota - e quase meio tonto leio e danço e rio e acho graça: “Vem dançar comigo, eu te amo tanto, o tempo não passa.” Sem pensar nem penso no tempo que o tempo levou para longe por cima da casa que agora se abre como um par de asas por cima da tarde e leva o peso da lembrança que não pesa nada É como eu-criança sobre a calçada, onde te esperava tonto de alegria de cara suja e coração na boca e na mão a carta que escrevi há tempos - quase uma nota - onde eu dizia quase meio tanso quase até sem graça: “Vem dançar comigo, eu te amo tanto desde aquele tempo quando o amor não passa...