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Mostrando postagens de julho, 2013

NO TEMPO EM QUE O AMOR NÃO PASSA - POESIA

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Envolto em fumaça, tusso ao caminhão que passa sobre a calçada e mata de morte matada a graça de eu-criança brincando com a lembrança do meu pai que abraça a minha mãe e dança e fala de um tempo onde o amor não passa   e o vento soprando esvoaça um sonho que eu tinha ontem - hoje eu tenho pressa e medo desta casa onde moro com as minhas coisas e uma antiga carta com um frase curta nem texto ou poema - quase uma nota - e quase meio tonto leio e danço e rio e acho graça: “Vem dançar comigo, eu te amo tanto, o tempo não passa.” Sem pensar nem penso no tempo que o tempo levou para longe por cima da casa que agora se abre como um par de asas por cima da tarde e leva o peso da lembrança que não pesa nada É como eu-criança sobre a calçada, onde te esperava tonto de alegria de cara suja e coração na boca e na mão a carta que escrevi há tempos - quase uma nota - onde eu dizia quase meio tanso quase até sem graça: “Vem dançar comigo, eu te amo tanto desde aquele tempo quando o amor não passa...

PRECE DA LUA VAGA - POESIA

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Quando andas sobre as ondas, espiam-te os peixes sob as águas e nadam à tua sombra:                                        vês como te olham? Quando vestes tuas contas e cantas como as sereias e deitas sobre a areia teus olhos vagos:                                       vês como te encantam? Enquanto passas, vês aquele menino, sentado à beira d'água, com um gravetinho, escrevendo pensamentos de criança na tua luz, nas estrelas, nos peixes, nas vagas? Ele ainda não sabe, mas bem se vê que é poeta.                                     Então não faça o menino chorar! Pero Vás

DESINFARTO - POESIA

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Desinfartei! Disse-te não pela primeira vez. E pela última palavra que insististe em não dizer. Bebo ébrio meu hemisfério - o esquerdo - - aquele que não sabes - e aos tropeços chego à outra margem - a direita - mas com tudo dito: de mim para ti. Tudo escrito e cabido numa linha. Tudo! Do início ao fim. Viste como era pouco? Eu te disse tantas e tantas vezes que era muito muito pouco o que eu tinha para te pedir. Desinfartei! Implodi as pinguelas de safena que ligavam o teu principício ao meu. Olhei teu chá e tuas luvas sobre a mesa - nem toquei - só olhei a cena irretocável e asséptica que me lembra e suja a memória: - aquelas luvas que usavas quando precisavas tocar em mim - - as luvas que arranhavam o meu coração! - Nem percebias a dor que me dava o chá vagarosamente bebido como amor sem açúcar! - Teu ritual de solidão... Desinfartei! Saio de ti de mãos caladas e vazias, tal qual tua boca e as palavras - poucas - que dizias. Veste tua luva, toma teu chá: te quero bem. . . . Coração...