AMANTES SEPARADOS
Renata Pallottini* (Texto publicado originalmente na revista Caros Amigos, ano 1, número 9, pg 8, dezembro de 1997) Tenho pena demais de amantes separados: talvez não haja maior desconsolo que o de gente que se ama e não pode tocar-se, pessoas feitas para estarem juntas, no convívio comum de que desfrutam todos, inclusive os que querem separar-se... Pessoas divididas pelos mares, pelas montanhas, quem sabe por destinos, a quem podem culpar de sua sorte? Os destinos se mudam, que os destinos foram feitos de fé pra ser mudados... Claro que existem dores bem maiores, sofrimentos de menos esperanças. A morte, por exemplo, é de uma vez e essa vez é pra sempre e sempre é muito tempo. Também a dor da vida indefinida, da vida opaca sem seus sobressaltos (sustos são necessários para a vida), também a vida rasa me comove. Mas ter de amar de longe, imaginando, redesenhar o rosto desejado, esculpir numa noite um corpo ausente é praga de algum deus desatinado. Essa conta não pode ser devida, de mod...