É PRECISO SABER VIVER
VIDA NOVA VIDA Tão logo te foste, pus-me a andar pela casa a busca de coisas esquecidas. Deixaste as torneiras abertas, a água jorrando; as luzes todas acesas; a porta da geladeira entreaberta; uma chaleira com água no fogo; a cadeira onde costumavas sentar afastada da mesa; o som ligado, rodando o CD que tanto gostavas, no modo "Loop"; a porta da rua deschaveada. Mas, não sei por que, aquilo não me incomodava. O que me incomodava, mesmo - e era só um pouco - era a espera, pois sabia que voltavas, entendia teus sinais, teu jeito, tuas manias. E voltaste, mesmo. Entraste sem bater, conferiste a geladeira, aproveitaste a água quente, sentaste no teu lugar preferido. E ficamos por horas e horas conversando coisas bobas e lembrando da vida. E isso repetiu-se por vezes e vezes. E eu até que achava bom. Um dia, aquilo começou a me incomodar. Fechei as torneiras; fechei a porta da geladeira; apaguei as luzes, deixando acesa só a que eu precisava; reposicionei as cadeiras - e foi me...