Quando Amanda estava prestes a completar 15 anos, foi falar com o pai. Disse-lhe que não queria baile nem presentes. Que, como perdera a mãe ao seu nascimento, queria saber o que era o Amor. João, sem surpreender-se (já esperava por esse momento, na verdade), entendeu o que a filha pedia e respondeu: "Amanhã iremos a um lugar onde te mostrarei o que pedes." Mal o dia amanhecia, eles tomaram o café e e logo puseram-se em caminhada. Percorreram estradas empoeiradas, cruzaram rios, vales, planícies, matas, montes. Caçaram e prepararam o próprio alimento, dormiram em abrigos improvisados. João, que sempre foi um aventureiro, ia mostrando à filha os significados do nascer do sol, do meio-dia, do entardecer, dos aros da lua, da posição das estrelas, do jeito como a chuva caía, do nadar dos peixes, do trinar dos pássaros, do andar do tempo. E assim caminharam por dias e dias e dias. Cuidando um do outro e de seus ferimentos. Ao final de muitas semanas (ou meses, não está bem certo),...