UMA PESSOA DE SORTE
Quando toco a árvore cheia de frutos de pitanga, percebo que é real e que existe; quando subo na laranjeira e colho a laranja, percebo que é real e que existe; quando cavo a partir de uma florescência e colho uma raiz chamada cenoura, percebo que é real e que existe. E tudo que é natural, que não precisa ser alimento, basta existir como flor ou beleza, já é o suficiente, para que eu saiba que é vivo e estou diante do algo real, do que é, como eu, vivente. Mas, quando vejo teu existir, que existe só para que o aproveites, compreendo - não sei como dizer - de tal forma, que parece que não existes. Não és natural, não alimentas, e cresces apenas: precisas de alguém como tu, que te alimente: e te alimenta de nada, de tudo o que não existe, para que pareças que tem o sentido que nem tu sentes. Continuarás existindo e irás mais adiante. Trarás para tua vida, com prazer, o que - mesmo sendo aparente - cumpre o papel suficiente e que para ti faz sentido, pois parece que com sua presença te faz...