O SENTIDO DA GUERRA
Aqueles que vamos matar não têm nome Aqueles que vamos matar não têm rosto Aqueles que vamos matar nos esperam Não dançaremos à volta dos seus corpos não os enterraremos não lhes faremos ritual algum nem cerimônia nem preces como fazem os vivos para homenagearem os que perecem Deixaremo-os para que apodreçam na terra a mesma terra de que são feitos A cara afogada no barro o barro encharcado de sangue o sangue coagulado de balas Não lhes recolheremos os pedaços Não colecionaremos cadáveres Ficarão lá para os bichos para as aves para os vermes para as plantas Esses que os comam pois deles se alimentam Não viemos pelos corpos mas pelas almas - para arrancá-las Aqueles que veremos morrer não nos interessam Não passam de homens mulheres ...