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Mostrando postagens de janeiro, 2022

UM DEPOIMENTO EMOCIONANTE

 

SONÊTO DO AMOR LATENTE

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Foto: arquivo pessoal. Apresentação em Sapiranga/RS. O que era ausência, fez-se presente; o que era nunca, fez-se pra sempre; o que era triste, fez-se contente; o que era inesperado, fez-se o existente; a vida aninhou-se em um forte abraço e o que era hesitante, ensaiou um passo; o que estava solto, uniu-se por um laço; e o que existia oculto, ganhou o espaço; o dia ensolarou, nuvens viraram pássaros; o andar, antes errático, tornou-se rítmico e o que era choro, converteu-se em risos. Os que existiam longe, ficaram próximos; e o amor latente, agora explícito, calou a dor e fez cairem os sisos. Pero Vás

ADÉLIO CONHECEU O MAR

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Sérgio, como era conhecido, um dia convidou o filho para passear, irem a um bar, tomar umas cervejas, e conversarem sobre qualquer coisa. Adélio, que sempre foi meio relutante, desta vez aceitou. E Sérgio e Adélio, pai e filho, foram a um boteco para beber e conversar. E divertiram-se muito, riram a mais não poder, até que, a certa altura, Sérgio propôs: ”Vamos, nós dois, visitar o mar? Eu dirijo, te levo, tu vais comigo. Vou mostrar-te o que não conheces. Vamos?”. Adélio achou o convite meio estranho. Mas, porque confiava no pai, respondeu: “Sim.”. No dia seguinte eles partiram para uma praia do litoral norte do Rio Grande do Sul. Foram a Rainha do Mar. Lá chegando, Sérgio alugou um apartamento para ambos e, à tarde, iriam à praia. Sérgio escondeu do filho que já conhecia o lugar, mas isso ficou como uma novidade que os dois iriam aproveitar. Depois do almoço, saíram, pai e filho, em direção à praia. Havia um quiosque, com mesas e guarda-sóis onde eles sentaram-se. Adélio estava ansio...

QUAL É A MÚSICA DO SENTIR?

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Esta estrada a que chamamos vida não oferece retorno, não há como voltar atrás. A única volta, com que às vezes nos surpreendemos, a nomeamos: Recordar. Por isso há momentos em que pego-me a pasmar diante da paisagem de um certo passado ilustrado sem encontrar-lhe, porém, a margem por onde possa alcançá-lo. Meus olhos ardem só de pensar que vou chorar. Tudo o que passou e o que deixei passar. Tudo o que existiu para não mais existir. Qual é a música do sentir? Pero Vás
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Não perco a esperança de que um dia (talvez nem precise de tanto, pode ser só por um momento), eu possa sentir alegria igual a uma que jamais senti, de ver envolta em magia a minha alma que nunca foi feliz. Não perco a esperança de que um dia, não importa o que acontecer, seja vindo de algo planejado ou que seja sem querer, o que a princípio seria vago não o seja, mas seja maior do que o viver. Não perco a esperança de que um dia, depois de tanto querer, depois de tanto sonhar e depois de tantos delírios, que eu veja que entre os lírios brotou uma flor selvagem de perfume lírico e diferenciado. Não perco a esperança de que um dia o coração que tanto me contesta perceba que o que faço é sempre para o nosso bem. E nós dois, cheios de esperança, compreendamos, finalmente, que o amor não é algo que se alcança; o amor é algo que vem. Pero Vás

TEIMOSIA

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Lembro de quando era criança e com apenas vinte anos aprendi, precocemente, a dizer: “Meu amor”. E, passado mais um ano, eu sempre progredindo, (sério, gente, eu estava sentindo!): rascunhando em meu caderno, “Eu te amo.”, escrevi. Hoje, passados muitos anos, tornei-me analfabeto. Houve reformas que não soube, mudanças que não vi, e o que tinha como certo, agora, pelos novos termos, são apenas falas e escritos sobreviventes de um antigo dialeto. Ficou muito difícil, para mim, falar do que existe em mim, como sentimento. É mais fácil dizer que nunca houve o que na infância eu repetia (com alegria! com alegria!) para não passar por ignorante. Agora, hoje em dia, “Meu amor” é uma alegoria, uma fantasia de criança vencida pela inteligência de quem vive além de mim. Assim mesmo não esqueço da imaturidade em que eu vivia, e repito, como repetia, apesar da não mais significância e dos gritos do professor:  “Eu te amo! Meu amor!”. Pero Vás

LINGUAGEM

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A língua é minha Pátria (Caetano Veloso) A linguagem é mágica e surpreendente. Ela existe não apenas nos sons, nas palavras, mas também nos silêncios, nos gestos, nas ausências, nos olhares. Um olhar diretamente nos olhos de quem conversa com a gente, envia muitas mensagens além das palavras que estamos usando; já o olhar que desviamos, de repente, comunica outras coisas. As informações que vêm desses gestos são completamente antagônicas. Mas ambas são informação, em última análise, linguagem, comunicação, porque informam, porque dizem algo, porque trazem consigo significado. Por isso, creio que é bom a sinceridade. Afastar-se, mudar de assunto, silenciar diante de uma pessoa com quem falamos, é uma ofensa. Acredito que o melhor é dizer: “Pessoa, esse teu papo tá chato. E eu não quero falar/conversar sobre isso”. Também usa a linguagem quem, de alguma forma ou interesse, deixa de dizer para o seu interlocutor alguma coisa. Isso, para mim (claro, que não é sempre) é a afirmação de que o...

SEM CARTA OU RECADO

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Ser ou não sei? questiona o pássaro canoro da gaiola pendurada na varanda em frente ao mar. Ser ou não sei? questiona a onda murmurante que vem deitar à praia espumando ao sol. Ser ou não sei? questiono eu sem asas mergulhando do alto da encosta ao encontro das águas. Ser ou não sei? questiona a alma que eleva um sonoro suspiro para o céu entre a névoa. Nunca serás! Jamais saberás! responde uma voz vinda da areia, que transforma em noite, o dia; e afogados, em estrelas. Autista Baptista