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O SENTIDO DA GUERRA

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  Aqueles que vamos matar não têm nome Aqueles que vamos matar não têm rosto Aqueles que vamos matar nos esperam   Não dançaremos à volta dos seus corpos não os enterraremos não lhes faremos ritual algum nem cerimônia nem preces como fazem os vivos para homenagearem os que perecem   Deixaremo-os para que apodreçam na terra a mesma terra de que são feitos A cara afogada no barro o barro encharcado de sangue o sangue coagulado de balas   Não lhes recolheremos os pedaços Não colecionaremos cadáveres   Ficarão lá para os bichos para as aves para os vermes para as plantas Esses que os comam pois deles se alimentam Não viemos pelos corpos mas pelas almas - para arrancá-las   Aqueles que veremos morrer não nos interessam Não passam de homens                       mulheres                   ...

O TEMPO DÁ VOLTAS E NÃO VOLTAS

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  Quando o sol apareceu, num instante que me pareceu de repente, estava só na areia eu e o mar brumia à minha frente. Olhei para o lado, em busca dos teus olhos, mas não achei nenhum sinal de ti. Estava diante do mar, das ondas, do sol, do vento, sentado sobre a areia num monumental silêncio, e nada era maior do que tua ausência. Estive diante do mar e percebi-me pequeno. Estive diante do sol e percebi que, sem ti, não tenho acesso ao Céu. Sentei-me frente a mim e percebi que na ausência de ti não sou mais que um ser terreno.   Pero Vás

A CHUVA TROPEÇOU NOS MEUS PÉS E CAIU

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    Um dia colherei a chuva estando acima das nuvens. E tomarei tanto cuidado para que a parte que machuca da chuva, a que chamamos melancolia, não te atinja. Um dia não poderei mais desejar estar contigo sob a chuva. Mas o amor que sinto, de onde quer que esteja, ainda choverá sobre ti, mesmo que não sintas, mesmo que vejas.   Pero Vás

UM DEPOIMENTO EMOCIONANTE

 

SONÊTO DO AMOR LATENTE

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Foto: arquivo pessoal. Apresentação em Sapiranga/RS. O que era ausência, fez-se presente; o que era nunca, fez-se pra sempre; o que era triste, fez-se contente; o que era inesperado, fez-se o existente; a vida aninhou-se em um forte abraço e o que era hesitante, ensaiou um passo; o que estava solto, uniu-se por um laço; e o que existia oculto, ganhou o espaço; o dia ensolarou, nuvens viraram pássaros; o andar, antes errático, tornou-se rítmico e o que era choro, converteu-se em risos. Os que existiam longe, ficaram próximos; e o amor latente, agora explícito, calou a dor e fez cairem os sisos. Pero Vás

ADÉLIO CONHECEU O MAR

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Sérgio, como era conhecido, um dia convidou o filho para passear, irem a um bar, tomar umas cervejas, e conversarem sobre qualquer coisa. Adélio, que sempre foi meio relutante, desta vez aceitou. E Sérgio e Adélio, pai e filho, foram a um boteco para beber e conversar. E divertiram-se muito, riram a mais não poder, até que, a certa altura, Sérgio propôs: ”Vamos, nós dois, visitar o mar? Eu dirijo, te levo, tu vais comigo. Vou mostrar-te o que não conheces. Vamos?”. Adélio achou o convite meio estranho. Mas, porque confiava no pai, respondeu: “Sim.”. No dia seguinte eles partiram para uma praia do litoral norte do Rio Grande do Sul. Foram a Rainha do Mar. Lá chegando, Sérgio alugou um apartamento para ambos e, à tarde, iriam à praia. Sérgio escondeu do filho que já conhecia o lugar, mas isso ficou como uma novidade que os dois iriam aproveitar. Depois do almoço, saíram, pai e filho, em direção à praia. Havia um quiosque, com mesas e guarda-sóis onde eles sentaram-se. Adélio estava ansio...

QUAL É A MÚSICA DO SENTIR?

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Esta estrada a que chamamos vida não oferece retorno, não há como voltar atrás. A única volta, com que às vezes nos surpreendemos, a nomeamos: Recordar. Por isso há momentos em que pego-me a pasmar diante da paisagem de um certo passado ilustrado sem encontrar-lhe, porém, a margem por onde possa alcançá-lo. Meus olhos ardem só de pensar que vou chorar. Tudo o que passou e o que deixei passar. Tudo o que existiu para não mais existir. Qual é a música do sentir? Pero Vás